PERMACULTURA
Fernando Araújo Lana
Símbolo da Permacultura.
Fonte: <
http://permaculturabr.ning.com>
Permacultura é um movimento, um conjunto de
conhecimentos transdiciplinares e metodologias que convergem a criação,
planejamento e manutenção de desenhos e sistemas sustentáveis, produtivos,
diversificados, resistentes e em equilíbrio dinâmico, com aspectos semelhantes
aos encontrados na “natureza”. Procura o máximo de auto-suficiência em suprir
de maneira sustentável necessidades como alimento, água, abrigo, energia,
saúde, educação, cultura, entre outras, materiais ou não. Insira-se em
sabedorias ancestrais e tradicionais, conciliando-as com o conhecimento
moderno, promovendo a integração harmoniosa entre as pessoas, os demais seres,
a paisagem e a Terra, resultando em uma Cultura Permanente. “Permanente” não
significa que é estática, e sim contínua. É dinâmica, se adaptando ao contexto
local e global. Invés de exaurir, a Permacultura cria recursos e gera
abundância.
O
conceito foi desenvolvido na década de 70 por Bill Mollison e David Holmgre.
Significa literalmente “Permanent
Agriculture” (agricultura
permanente), pois começou desenvolvendo “ecossistemas agrícolas
produtivos no sentido de permitir estabilidade, diversidade e flexibilidade aos
mesmos à semelhança dos ecossistemas naturais” (PERMACOLETIVO, 2011). Mas o
significado mais a apropriado à abrangência atual da Permacultura é “Cultura
Permanente” ou “Cultura de Permanencia”. A produção de alimento de maneira sustentável continua sendo um dos
principais aspectos da permacultura, mas não o único.
Depois de dez anos implantando,
com grande sucesso, tais sistemas em todos os continentes, Mollison e seus
colaboradores perceberam que não adianta concentrar-se em sistemas naturais sem
considerar os outros sistemas tão vitais para a sobrevivência humana: sistemas
monetários, urbanos (arquitetura, reciclagem de lixo e águas), sociais e de
crenças. (GRUPO DE PERMACULTURA DA UFSC, 2011)
“Autossuficiência alimentar não
tem sentido sem que as pessoas tenham acesso a terra, informação e recursos
financeiros”. (Não por acaso, um dos princípios éticos da permacultura é
cultivar a menor área de terra possível, por meio de sistemas intensivos de
pequena escala e eficientes em energia.) (MOLLISON apud CAPELLO, 2009)
Bill
Mollison e David Holmgren moravam em uma pequena vila no interior da Tasmânia,
onde produziam e coletavam o próprio alimento que consumiam. Nesse local,
sentiram a presença da poluição e o início da escassez de recursos. Enquanto
professores da Universidade da Tasmânia “estavam pesquisando um sistema
agricultural sustentável para servir como resposta positiva aos sistemas
políticos e industriais que, na visão de Mollison, condenavam a continuidade da
vida humana e do mundo à nossa volta.” (MOLLISON, 1991) O processo resultou no
conjunto de princípios e num grande jardim experimental rico em biodiversidade
que servil como laboratório a céu aberto para suas observações.
As
observações prosseguiram nas florestas australianas, encontrando padrões e
princípios que pudessem estar presentes em sistemas de alta produtividade,
estáveis e recuperadores de ecossistemas locais. Viajaram o mundo encontrando
conceitos e práticas de culturas ancestrais remanescentes que vivem em relativo
equilíbrio com o meio ambiente, e “sobreviveram por mais tempo do que qualquer
um dos recentes experimentos civilizacionais” (Daniel Quinn, s.d.). Muitos
desses conhecimentos, habilidades e sabedorias passaram a fazer parte da
permacultura, que os concilia áreas do conhecimento moderno, como biologia,
agroecologia, arquitetura, nutrição, geografia de paisagem, antropologia,
filosofia e economia solidária.
São
conhecimentos aplicáveis praticamente em qualquer lugar. O permacultor é um design que busca a interação e
integração entre todos os elementos do espaço onde se encontram os
assentamentos humanos, possibilitando a formação de unidades rurais, cidades,
casas, escolas, praças, ecovilas e aldeias com padrões de sustentabilidade mais
permanentes. Há menor gasto de energia e esforço na manutenção dos mesmos. O
cultivo, por exemplo, tende a diminuir, cedendo lugar a mais atividade de
coleta.
Embora, a princípio, a
Permacultura aparente ser de trabalho intenso, ela não é um retorno aos
sistemas proletários de colheitas anuais, escravidão e sofrimento sem fim [...]
Pelo contrário, ela prioriza o design
[...] para o melhor benefício, utilizando uma certa quantidade de trabalho
humano (que pode incluir amigos e vizinhos), uma acumulação gradual de plantas
produtivas perenes, [...] o uso de recursos biológicos, tecnologias alternativas
que gerem e economizem energia e um uso moderado de máquinas, de forma
apropriada. [...] Neste momento, nos parece óbvio que o planejamento da
produção alimentar altamente intensiva e biológica, a partir da porta de casa,
é o único caminho para a saída das crises futuras. (MOLLISON, 1991)
A permacultura não é restrita a uma disciplina
acadêmica, ciência, filosofia ou técnica. Mas pode incluir isso tudo. Não
depende apenas do projeto de especialistas. Mais a contribuição destes é bem
vinda. A permacultura também contribui para os mesmos, ajudando-os a ter idéias
e práticas mais sustentáveis diferentes das convencionalmente utilizadas.
A Permacultura é fundamentada eticamente e
concebe princípios ecológicos para estabelecer, desenhar, criar,
gerir, coordenar, imitar e melhorar os esforços feitos por indivíduos e
comunidades por um futuro sustentável. O fazer permacultural se constrói
pensando sobre o uso dos recursos de que se dispõe localmente, aprendendo a
fazer diretamente aquilo que de outra maneira demandaria muitos intermediários,
altos custos financeiros, de energia no transporte e nos longos processos
industriais, alta poluição e impactos socioambientais.
Mollison
ganhou o prêmio Nobel Alternativo, chamado de “Premio da Sustentabilidade” (Right Livelihood
Award) no ano 2000, a medalha VAVILOV e
foi declarado o Ecologista do Século na Austrália. (ECOVILA CUNHA, 2011) Em 1978,
Holmgren deixou a universidade e foi se dedicar exclusivamente à melhoria do
método e à sua propagação. (ROMERO, 2002). A permacultura chegou ao Brasil por
Mollison em curso dado em Porto Alegre.” (GRUPO DE PERMACULTURA DA UFSC, 2011)
Abaixo
são citados os princípios da Permacultura:
Princípios
éticos
- Cuidado com
a Terra
- Cuidado com
as Pessoas
- Partilha
justa, estabelecer limites para consumo e produção, e redistribuir o
excedente.
Princípios gerais e de design
·
Localização
relativa: cada elemento (casa, tanque, estradas etc.) é posicionado em relação
ao outro, de forma que auxiliem mutuamente.
·
Cada
elemento executa muitas funções.
·
Cada
função importante é apoiada por muitos elementos.
·
Planejamento
do uso de energia para a casa e os assentamentos (zonas e setores).
·
Preponderância
do uso de recursos biológicos sobre o uso de combustíveis fósseis.
·
Reciclagem
local de energias (ambas: as humanas e as combustíveis).
·
Sistemas
intensivos em pequena escala.
·
Utilização
e aceleração da sucessão natural de plantas, visando o estabelecimento de
sítios e solos favoráveis. (Sistemas Agroflorestais são uma forma de realizar
isso).
·
Policultura
e diversidade de espécies benéficas, objetivando um sistema produtivo e
interativo.
·
Utilização
de bordas e padrões naturais para um melhor efeito (efeito de bordas).
Os
campos/áreas de conhecimento são ilustrados pela Flor da Permacultura:
Fonte:
< http://casacolmeia.wordpress.com/o-que-e-a-permacultura>
REFERÊNCIAS
BIBLIOGRÁFICAS
ECOVILA CUNHA. Curso de Qualificação de
Permacultores. Disponível em: <http:// www.ecovilacunha.org/portugues/programas.html>. Acesso em 05 junh. De 2011 .
GRUPO
DE PERMACULTURA DA UFSC. Permacultura. Disponível em: <http://www.cca.ufsc.br/permacultura>
Acesso em 5 de
junho de 2011 .
MOLLISON,
Bill. Introdução à Permacultura. 2º
Ed. Editora Tagari Publications
(Inglês), Editora Novo Tempo (Português): Autrália, 1991. 2º Ed em 1994.
Tradução por André Luis Jaeger Soares. 204 p.
PERMACOLETIVO.
Disponível em: <http://permacoletivo.wordpress.com>.
QUINN,
DANIEL. Ismael. São Paulo:
Peripópolis, 1998.
_____________________________ 
O trabalho Permacultura: Um Movimento Global Pela Sustentabilidade de Fernando A. Lana foi licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição - NãoComercial 3.0 Não Adaptada.
Com base no trabalho disponível em ecobiocosmoetica.blogspot.com.br.
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